Cicatrizes
Eu já pensei em suicídio, parece loucura, mas já pensei em
me matar, e muito pior que isso, eu já tentei, carrego no meu pulso a marca
desta lembrança, mas muito pior que carregar uma marca no corpo, é carregar uma
marca no coração.
É difícil explicar o que me levou a tentar fazer uma barbárie
desta, simplesmente fui levado por uma tristeza profunda, dolorida, corroída,
levado por lágrimas insistentes que teimavam em cair do meu rosto, uma dor
profunda que não doía, uma ferida que não existia, uma raiva incontida que
dominava meu ser numa idade tão bonita que era a adolescência, cuja a cicatriz
somente eu enxergo.
Álcool, drogas, festas, apenas pioravam a sensação ridícula de
se estar vivo sem saber o motivo; brigas, fúria e banalidades era apenas uma
desculpa para não assumir os erros que eu não queria estar cometendo.
Então eu me apegava as paixões que eu não era correspondido,
ficava noites em claro escrevendo poesias, que nada eram na verdade coisas que
eu gostaria de gritar para todos me ouvirem: SOCORRO!
E o mais interessante numa depressão profunda, é a
facilidade que temos de nos enterrar ainda mais na depressão, escutando Pink
Floyd para criar coragem em cortar os pulsos, em se atirar de um viaduto ou na
frente de um carro, tudo regado a vinho e tristeza.
A incapacidade de ver, ouvir ou sentir a realidade é como tivéssemos
anestesiados por algum anestésico psicotrópico, nada é percebido, nada importa,
a única coisa que conseguimos perceber é a tristeza, é a dor no peito, a
sensação desagradável de não sermos amado, não sermos notado, somos invisíveis a
olho nu, somos invisíveis por não conseguirmos expressar nossos sentimentos.
Alguns se retraem, outros ficam agressivos, outros bebem e
fumam e eu era uma mistura de todos, não sabia o meu lugar, não sabia onde ir e
nem o que fazer e praticamente joguei boas oportunidades fora, simplesmente porque
não me achava merecedor de nada.
Nessas horas poucos são os amigos ao nosso lado, mas não
posso me queixar, um em especial estava ao meu lado e depois outros vieram e
naquela época ninguém falava ou sabia nada sobre depressão, era apenas “frescura”.
Carrego até hoje minha depressão “amiga” e acredite, com o
tempo aprendemos a lidar com ela, hoje não passa de uma tristeza passageira,
mas que se eu não cuidar, pode querer a voltar ao meu convívio diário, mas hoje
eu tenho dois grandes aliados ao meu lado, dois amigos que recomendo a todos
que tem todos os sentimentos descritos acima: DEUS E JESUS.
Também adquiri um remédio renovador, que basta eu olhar,
beijar e abraçar, para todo o sentimento ruim se esvair como vapor: MINHA
FILHA.
Existe um sentimento chamado amor, que constrói família e
traz momentos felizes, mas o único sentimento verdadeiro que nos constrói como
seres humanos preparados para a evolução, para as provas e expiações, para o
progresso e para a reforma intima, SE CHAMA AMOR PRÓPRIO.
Sim, hoje eu estou triste, mas vai passar!

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