O amor me faz mal

 

O amor me faz mal, me machuca e me faz chorar, dói no meu peito como uma bala perdida atirada por um alma desalmada, que sorri com seus lábios sedentos por um beijo ao ver meu corpo se contorcer de dor.

Se um dia de cabeça baixa eu estiver sentado em um banco de praça, com lágrimas de fogo queimando o meu rosto e repentinamente sair correndo e me atirar em frente de um carro, não morrerei pelo amor, mas me tornarei um assassino, por destruir alguém que estava indo para casa, quem sabe para abraçar sua amada e eu interrompi esse encontro. Algo me dói e me machuca, então continuarei sentado neste banco, com o sol frio e a chuva congelada em meu rosto, naufragando entre pombos que me olham com sarcasmo e desprezo, pensando em seus minúsculos cérebros “pobre alma sofrida que se acha humana, mas fica colhendo migalhas, parecendo um de nós”.

E mesmo no vale da solidão, com os fones de ouvidos no volume máximo, ouvindo “Starway to Heaven”, carregando minhas moedas para pagar Caronte, atravessando um rio de lava, Cerbero estará a minha espera, com suas três cabeças, uma com seu olhar, outro com seu sorriso e a terceira com sua maledicência em negar a felicidade.

Entrarei nos reinos sombrios, onde Hera estará me esperando, cinicamente me abraçando e fazendo minha saudade, minha paixão e minha solidão me acompanharem por toda a eternidade, e por falar em toda a eternidade, ninguém ama por tanto tempo, ninguém seria tão tolo assim, sendo enganado pelo amor.

O amor me faz mal, me machuca e me faz chorar e mesmo assim, continuo em uma busca implacável pela tal felicidade, pelas flechas dos cupidos, que devem ter acertado algumas maçãs por ai e meia dúzia em minha alma, mas mesmo assim, vou ficar sentado nesta praça fria e embolorada esperando ela passar em algum ônibus, me acenando, dizendo adeus.




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