Nascimento

O homem caminha em passos vagarosos, olhando para o chão, ninguém vê as suas lágrimas que se misturam a chuva, ninguém consegue sentir toda a sua dor. A solidão em sua alma o persegue até em sonhos e é nos sonhos que pelo menos ele se realiza, para em seguida acordar e perceber que estava apenas dormindo.

Com a lua cheia, entorpecida na abóboda do firmamento, tristemente ele fantasia a morte e o nascimento, do seu suspiro profundo onde a morte reside a mais tempo, vem a esperança que ainda haja um nascimento, seus lábios quebradiços com o frio, apenas ficam mais sequiosos por um beijo que nunca aconteceu, mas que ele sonha, é pois é, o sonho novamente, a todo momento.

Nascimento deveria significar alegria, futuro, comemoração, mas para o homem é um nascimento sem sentido, não há nada a festejar quando se está sozinho e perdido, amaldiçoado pela solidão de se estar só.

O homem continua em frente com seu olhar triste, fixado no horizonte, na esperança de ver ao longe uma silhueta, os cabelos longos e pretos, os olhos amendoados e o sorriso faceiro, de braços abertos trazendo-lhe o nascimento.

Mas ele percebe nada haver no horizonte, apenas um asfalto sem fim, um jornada longa e cansativa, que sabe ele uma hora ou outra chegará ao fim, seja no nascimento do amor ou de uma amizade com fim.

Então o homem sorri, apesar de tudo isso ele não lamenta, não pragueja, não se irrita, alguns nasceram para ser felizes, outros para simplesmente observarem, uns endurecem o coração, outros sofrem até morrer, mas ele apenas sorri, pois as vezes um nascimento, pode ser também um renascimento de um coração ferido e cicatrizado pelo mais nobre dos sentimentos... o amor! 



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