A Existência da Felicidade - Final

 

A empresa estava para a grande mudança para a nova sede e o nosso setor seria o primeiro a mudar para o novo prédio, arrumamos, empacotamos e encaixotamos tudo e partimos para anova sala; ficamos sozinhos trabalhando um fim de semana, organizando o escritório, ela trabalhava muito, era muito organizada e eu parei para observa-la, ela estava muito bonita naquele dia, com uma blusinha azul e uma saia branca, ela parou em frente a janela e o sol fez o seu rosto se iluminar, me aproximei e fiquei ao seu lado.

- Bonito a visão da cidade daqui. – Ela comentou.

- Muito mais porque você está nela. – Elogiei

Ela me olhou um pouco surpresa e eu peguei-a pela cintura, aos pouco os meus lábios encontraram os dela e a beijei com carinho, sentindo o seu hálito em minha boca.

- Eu te amo Isabel! – Me declarei.

- Eu te amo também, só que...

Não deixei ela terminar a frase, beijei-a com vontade, com amor e suas mãos agarraram firme meus cabelos, o tempo parou naquele momento, nossos corações batiam em compasso, na mesma sintonia, nossa pele eriçava, olhei-a nos olhos e disse.

- Não sei como e nem porque, mas desde o primeiro dia em que te vi, me apaixonei, sempre te respeitei e não quero de maneira nenhuma te prejudicar, mas realmente estou te amando e quero dividir este amor contigo, quero lhe mostrar a verdadeira face do amar, do respeito, da vida a dois e então te pergunto, e agora?

- Não sei! – Me respondeu sorrindo.

Conforme o tempo ia passando, nós nos aproximávamos cada vez mais e eu já não conseguia conviver com os hematomas e também não queria força-la a nada, mas uma decisão deveria ter o quanto antes; um certo dia ele estava esperando ela em frente a empresa como sempre fazia, fiquei de longe só observando, quando ao vê-la saindo conversando com os colegas, puxou-a pelo braço e lhe deu um sonoro tapa na cara, ela caiu chorando, pedindo para parar, mas  ele não lhe deu ouvidos, agarrou-lhe pelo braço e puxou como se fosse uma boneca de pano, atirando-a contra o carro. Ao ver aquela cena dantesca, senti meu sangue ferver em meu rosto, deixei de raciocinar e parti para cima dele, dei-lhe um soco no rosto e atingi seu nariz quebrando-se, deu para ouvir o som do nariz parecendo uma garrafa se partindo em pedaços, seu sangue espirrou em mim e ele caiu, comecei a chuta-lo com violência, vociferando palavras de ordem, até que conseguiram me conter, segurando-me com dificuldade, pedi para me soltarem e fui em direção de Isabel, que estava extremamente assustada, tomei-lhe em meus braços e a beijei numa clara demonstração de amor, peguei seu dedo anelar e retirei a aliança, seu noivo estava ainda ao chão com as mãos ensanguentadas cobrindo o rosto, me aproximei e lhe encarei, jogando a aliança em sua cara.

- Você só é valente com mulheres, não me sinto melhor que você porque lhe bati e nem quero ser, mas estou lhe avisando que ela não é mais sua noiva e nem sua propriedade, nunca mais irá tocar sua mão suja nela e nem ao menos lhe dirigir a palavra, eu te ponho na cadeia e se não adiantar... eu te mato. Você não merece essa mulher e nem mulher nenhuma, não sabe a pessoa que perdeu, sua valentia acaba aqui, humilhado na frente dela e dos colegas, você é um merda, um calhorda que só enxerga o próprio umbigo, deixe-a em paz, só um aviso.

Pegamos um taxi e fomos embora, deixando para traz um passado de escuridão e abrindo um futuro de amor, nos amamos a noite inteira e lhe pedi em casamento, sem noivado, sem testemunha, não era preciso, só lhe prometi nunca mais usar daquela violência, que aquilo não fazia parte de mim, eu não era assim.

Cinco anos passaram-se e agora nossa família era maior, pois há três meses nascera Belkiss, uma linda garotinha de olhos verdes e pequenas sardas no rosto; Sophia adorou a irmãzinha e se deu muito bem com Isabel, olhando de longe as duas pareciam irmãs, minha ex também se relacionou muito bem com ela. Um dia quando Isabel amamentava Belkiss na cama, eu fiquei a admira-la, seus brilhavam e sempre havia um sorriso em sua face, era uma mulher decidida agora, mas ainda continuava meiga e amável, ela me olhou e falou baixinho.

- Obrigado!

Eu sorri e lhe respondi.

- Eu é quem devo agradecer por você existir em nossas vidas.

Se você estiver passeando por algum parque em Porto Alegre, meio triste e cabisbaixo e ver uma família caminhando, com duas meninas saltitantes e um casal visivelmente apaixonado, acredite, somos nós, porque a felicidade existe, basta acreditar.

 

 

 

                                                     FIM

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