Mais Forte que a Morte - Capítulo 3
Dez dias de Janeiro se passaram, Dasil como de costume,
levanta-se cedo e vai para a praia, lugar que elegeu como o mais sossegado do mundo
para se treinar artes marciais, mais precisamente Caratê, uma paixão infantil
que leva muito a sério. Enquanto treina concentrado, ele não desconfia que
todos os dias ele é observado, olhos o vigiam o tempo todo durante seus
exercícios a beira praia, porém, hoje ele identifica um vulto e um pequeno e
discreto sorriso surge em seus lábios; começa a fazer uma corrida normalmente e
some em meio as dunas de areia, quando repentinamente aparece e esbarra em uma
garota, com dissimulação aparenta ser uma fatalidade.
- Me desculpe, não há vi!
- Não se preocupe, não foi nada demais.
- Bem... costuma ficar vigiando as pessoas sempre pela
manhã? – como sempre direto e frio.
- Desculpa, não quis lhe ofender, é que adoro artes marciais
e vi você treinando e fiquei admirada com a sua técnica, só isso.
- Obrigado pelo elogio, meu nome é Dasil! – ele estende a
mão para a garota.
- Sou a Cristina, prazer. – ele lhe responde com um lindo
sorriso.
Inevitavelmente a conversa se prolonga, ao que parece o
agente fez uma amizade, conversaram muito sobre assuntos distintos, ele sempre
se cuidando para não dar com a língua nos dentes e ao mesmo tempo ele percebe
que ela também escolhe as palavras, não se revela totalmente e que ela trocou
de assunto quando lhe perguntou seu sobrenome, mas também se conheceram agora e
pode ser apenas coincidência, aifnal quem se abre totalmente já no primeiro
encontro?
Já em casa e de banho tomado, com uma xicara de café preto
na mão, resolve ligar para o Cel. Marcon, para saber as “novidades”.
- Olá Cel. Quais são as novas?
- Nenhuma meu jovem, apenas murmúrios do retorno de um certo
chefão.
- Pablo Lotes está na área?
- Como eu disse, apenas boatos, nada concreto, estamos
trabalhando nisso.
- Coronel, esse canalha é meu!
- Não se preocupe, ele será seu, se nós o localizarmos eu te
aviso com certeza, sei que está neste caso a anos; mas trocando de assunto,
como estão as férias?
- Estão ótimas, o lugar aqui é fantástico e até já fiz
amizade com uma gatinha!
- Hahahaha, finalmente, só toma cuidado.
- Claro Coronel, vai que ela seja uma espiã.
- Bom descanso Dasil, tchau!
- Até Coronel.
Dasil Moreno Cipriani não era nem de longe parecido com
esses agentes de filmes americanos, aliás na vida real nenhum é, tinha vinte e
quatro anos, pesava oitenta quilos, altura de um metro e setenta e seis
centímetros, cabelos castanho comprido, barba grande estilo hindu, faixa preta
em caratê-do e formado em outras artes marciais. Durante as últimas semanas
suas conversas com Cristina era quase diariamente, apesar de sentir que ela não
se abria muito e falava pouco de si, ele adorava a presença dela, era algo novo
em sua vida e então evitava de pensar que algo estivesse errado. Um certo dia,
como se ele estivesse reprisando o começo de suas férias, ele se olha no espelho
e quase que como um susto se dá conta de algo novo em sua vida,
assustadoramente novo.
- Caramba, eu estou apaixonado por ela, sério que deixei
isso acontecer e agora o que faço... na minha posição se envolver sério com
alguém é complicado, mas... há droga, não consigo evitar.
Então ele toma uma decisão.
CONTINUA...

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