Mais Forte que a Morte - Capítulo final

 

- ... E eu vou fazer o mesmo com você. Dasil!

Dasil e o Coronel Marcon terminam de escutar a fita cassete que foi deixado com o corpo de Adailton, nos olhos de Dasil só há raiva.

- Eu vou pega-los Coronel, juro pela alma do meu amigo.

- Eu sei que vai, não vamos medir esforços.

Um mês se passou depois do incidente com o agente Adailton e Dasil percorreu toda a cidade, todos os becos, cabarés e pontos de tráfico conhecidos em busca de pistas, mas sempre em vão, até que o Coronel o chama para uma noticia importante.

- Boas novas jovem, conseguimos três nomes de mulheres que trabalhavam para Pablo.

- Ótimo Coronel, vamos ver essa lista.

- Adriana Castro, 26 anos, residência desconhecida, não é o tipo que comete assassinatos, trabalha mais com a cabeça. Angelita Mattos, 32 anos, está descartada, pois atualmente reside em Nova York e por fim, e é melhor você se sentar para não cair, CRISTINA VENTURINI LÓTES, 19 anos, atualmente reside no bairro dos Salvadores, eximia lutadores de artes marciais, faixa preta em caratê-do, judô e aikido e por incrível que pareça, como já deve ter percebido, ela é filha de Pablo e ao que tudo indica ela assumiu o posto do pai.

- Deve ver algum engano Coronel, não pode ser ela. – Ele mostrou-se totalmente consternado o que chamou muito a atenção do Coronel.

- O que houve Dasil, você sabe algo que não sei?

- Coronel, ela era a minha namorada!

- A garota que você conheceu na praia?

- ela mesma! – Responde ele com lágrimas nos olhos.

O Coronel emudeceu-se pois percebeu a dor de Dasil nos olhos marejados, ele então se retira silenciosamente, pois a única coisa que quer fazer no momento é chorar sozinho. Mais tarde ele volta a conversar com o Coronel e sabe que terá que ser muito honesto.

- Pelo jeito você a ama de verdade Dasil. – Exclama o Coronel.

- Amava, amo, nem sei mais, o que sei é que vou fazer o meu trabalho, se foi ela que cometeu aquela atrocidade com Adailton então ela é uma criminosa e vou prende-la custe o que custar.

- Você está fora do caso, já coloquei outro agente no caso, você está envolvido emocionalmente e é muito perigoso.

- Negativo, estou nisso desde o começo, perdi um grande amigo, eu vou.

- Não vai adiantar nada eu te proibir né? Você vai de qualquer jeito.

- Positivo coronel.

- Então está bem, mas escute... Tome muito cuidado, não deixe o coração falar por você e baixar a guarda e não vá agir sem pensar.

Dasil se despede do Coronel e por longos minutos fica contemplando o pátio do QG, na cabeça dele era como uma despedida e em suas memorias vem à lembrança da praia, de quando conheceu um garota que parecia frágil, meio infantil e tímida, mas que se hoje ele descobre que foi enganado, como nunca antes fora, mas também sabe que nunca antes tinha se apaixonado. Hoje ele vai ter que cumprir a maior missão de sua vida. Não foi difícil encontrar a casa dela e apesar de ela morar num condomínio de luxo, depois de um bom carteiraço foi fácil entrar, estaciona o carro em frente a mansão e percebe vários seguranças espalhados pelo perímetro, ele está só, não tem cobertura, então tem que agir com muita cautela, sai do carro e se depara com Dona Elza que o cumprimenta ironicamente.

- Agente Dasil, que bom vê-lo.

- Onde está Cristina? Preciso falar com ela.

- Eu disse que infelizmente vocês iam se reencontrar-

- Deixa de ironia e me diz onde ela está?

- Ela está no campo de golfe e Dasil, não tente nada.

 Ele não responde, apenas sai as pressas e em meio ao caminho lembra do barzinho e da música do Guns, e sorri, que grande farsa, dos dois, um mentindo para o outro, ela escondendo ser filha de Pablo e ele escondendo ser um agente, andando pelo campo de golfe ele nota que não há pessoas e nem seguranças e enfim ao pé de uma grande árvore ele a encontra, sentada de costas, ele se aproxima e quando chega perto ele para subitamente e pergunta.

- Porque você fez tudo isso Cristina?

Ela vira-se lentamente, em seus olhos há lágrimas e em suas mãos um revolver 38.

- Porque você matou meu pai! – Ela exclama.

- ele era um traficante e assassino.

- Ele era meu pai!

- Você matou meu melhor amigo, um grande policial, pai de família, honesto.

- Não, não fui eu, minhas ordens é para matar você.

- Então me mate, mate uma pessoa que te amou de corpo e alma.

Ela levanta a arma, aponta em sua direção, ele abre os braços e a olha nos olhos.

- Eu não posso... Não posso te matar, nem a você é nem a ninguém, não sou uma assassina, não sou como meu pai, fui treinada para isso, mas eu nunca quis.

Dasil sorri e ela retribui o sorriso em lágrimas e quando ele vai abraça-la, três tiros são ouvidos, ele olha para Cristina e ela estende a mão e cai, ele saca sua Magnum 45 e vira para o lado dos disparos, aperta o gatilho e dispara várias vezes, acertando Dona Elza que cai ao chão, mas ainda consegue disparar um único tiro, que o acerta letalmente no peito, ele cai ao lado de Cristina imóvel, chora como uma criança, quando percebe que ela se esforça para levantar a cabeça, ela olha-o com carinho e amor e finalmente diz.

- Eu te amo Dasil, te amo demais!

Os dois morrem, com as mãos estendidas, onde somente a ponta dos dedos se tocam. 

                                                          Fim

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