EVA - PERDIÇÃO - capitulo 1
Eram seis horas da manha quando o relógio disparou o alarme,
Eva sentou-se na cama e espreguiçou-se com força, entrou no banheiro e
despiu-se, ficou observando o seu reflexo no espelho, pendurado na parede,
tocou suavemente nos seios e deu-se conta que há pouco tempo eles eram
minúsculos, seu corpo estava ficando totalmente diferente, definitivamente não
era mais um corpinho de criança, mas sim de uma adolescente de quinze anos,
transformando-se em mulher. Ligou o chuveiro e tomou um longo e bom banho
quente, vestiu uma minissaia de brim e uma blusinha decotada e dirigiu-se para
a cozinha para tomar o café da manhã.
- Bom dia mãe, bom dia pai!
- Bom dia minha flor – ouviu de sua mãe com a doçura de
sempre.
Do seu pai escutou apenas um murmúrio ranzinza que pareceu
um bom dia, o mau humor dele já era costumeiro e Eva nem ligava mais,
dificilmente seu pai era gentil, principalmente quando estava sóbrio, pois
quando estava bêbado era bem pior.
- Pai, preciso de dinheiro para comprar cadernos!
- Cadernos? Olhou ele fixamente. – o que você precisa é de
um trabalho e não ficar vagabundeando em frente ao colégio, vestida igual a uma
vadiazinha.
- Não sou uma vadia e nem serei, estudo muito e tenho
boas notas, não tenho nem namoradinho.
- E por acaso notas altas enche barriga de alguém, tem é que
calejar as mãos – respondeu ele dando um forte tapa na mesa.
Eva levantou-se e saiu em passos rápidos para seu quarto,
que ficava na parte superior da casa, construída com humildade e muito esforço,
feita de tijolos maciço e ainda sem reboco, na cozinha, dona Helena ainda estava
em pé, olhando seu marido fixamente.
- Ta olhando o que? – perguntou ele.
Ela nada respondeu, deu-lhe as costas e foi atrás de Eva,
que a esta altura ainda estava soluçando com o travesseiro em seu rosto.
- Calma minha filha, seu pai esta nervoso.
- Nervoso mãe? Ele esta sempre nervoso, na realidade ele é
um ditador alcoólatra e insuportável.
- Não diga isso.
- Digo sim, ele é um alcoólatra nojento e covarde!
- É isso o que você pensa de mim?
As duas entreolharam-se e um calafrio percorreu o corpo de ambas,
pois em pé, na soleira da porta estava seu pai, babando de raiva, na sua mão
direita segurava um cinto de couro e a esquerda estava com o punho fechado.
- Rodolfo, por favor! – implorou dona Helena
CONTINUA...

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