EVA - REDENÇÃO - Capitulo Final

 

Minha mãe estava deitada em uma cama de um hospital geriátrico, abriu os olhos e viu Milton ao seu lado, sorriu delicadamente.

- Oi Milton!

- Olá Helena, como se sente?

- Feliz como nunca fui, parece que os espíritos estão em festa!

- Estão sim, deu tudo certo.

- Que bom, sempre há esperança para o bem.

- Você está pronta?

- Há muito tempo.

- Segure minha mão.

Ela segurou sua mão e seu corpo foi falecendo lentamente, sem dor, sem tristeza, os dois ficaram se olhando por um tempo até que minha mãe disse.

- Vou poder encontra-los?

- Com certeza, será uma surpresa agradável para eles.

- Estou com saudade.

Acalme-se, pois agora terás todo o tempo da eternidade.

...

Uma semana passou-se e eu estava ansiosa esperando meu pai sair do centro de recuperação, aguardava-0 no jardim, nos bancos perto do lago, onde conversei com Zulmira pela primeira vez, quando acordei dos meus pensamentos, ele estava vindo em minha direção, limpo, barbeado, vestindo as usuais roupas brancas, não se parecia em nada com o Rodolfo do passado, estava lindo, sereno e sorridente, era o meu pai que estava ali, me senti orgulhosa.

- Minha filha!

- Meu pai.

- Tanto tempo perdido com futilidades, somos tão inseguros e ingênuos com a nossa humanidade, arrogantes a ponto de esquecermos a pura e simples dadiva de Deus que é viver!

- Não há mais necessidade de relembrar essas coisas ruins pai.

- Eu preciso minha filha, preciso muito te olhar nos olhos e perceber o tempo que perdi, preciso muito te olhar nos os olhos e finalmente dizer de alma aberta que te amo muito.

Abraçamo-nos com lágrimas nos olhos, tudo o que sempre quis escutar dele eram essa palavras, mas para tal tivemos que passar por uma provação divina e maravilhosa.

- Nunca é tarde meu pai, nunca é tarde.

Saímos a caminhar de mãos dadas, senti que nosso corpo brilhava e que todos nos notavam, senti vontade de me beliscar para ter certeza que não era um sonho, mas não havia necessidade disso, nossas almas estavam unidas finalmente.

- O que você pretende fazer agora pai?

- Vou me dedicar aos estudos e tentar salvar almas perdidas como eu.

- Que bom, fico feliz.

- E você?

- Vou aprimorar os meus dons, Nithael disse que sou diferenciada, também quero salvar almas, mas quero trabalhar no mundo terreno combatendo forças do mal como Tom.

Perto de uma subida da colina, vimos uma silhueta distante, caminhava graciosamente em nossa direção, não demorou para que o espanto ficasse visível em nossos semblantes, mas também felizes e alegres, para não dizer surpreendidos totalmente.

- Helena? – disse meu pai espantado.

- Mãe? – fiz o mesmo.

Saímos correndo em sua direção e a abraçamos ao mesmo tempo, caímos e rolamos pelo gramado, dando risadas de alegria, de joelhos ficamos nos olhando demoradamente e profundamente.

- Meus queridos, que saudade, Rodolfo como você está bem e Eva minha filha, estou tão orgulhosa!

- Preciso te pedir perdão Helena, você me perdoa?

- Não Rodolfo, porque não precisamos de perdão, estamos todos aqui, esse acontecimento já é um perdão.

- Mãe, te amo muito, que bom que está aqui.

Ficamos deitados na grama, conversando, rindo, nos amando como nunca tínhamos feito, logo apareceram Milton, Zulmira, Irineu e Nithael, pareciam felizes também, Zulmira olhou-me com os seus olhos brilhantes e disse.

- E então Eva, aprendeu a perdoar?

- Não só a perdoar, mas também aprendi do quanto é importante saber amar.

Todos sorriram com o meu comentário, mas a minha atenção voltou-se totalmente para Nithael, não resisti e perguntei-lhe.

- Quem é você?

- Como assim? – espantou-se

- Lá no limbo você afastou todos com uma luz muito intensa, não era algo que poderíamos fazer e o monstro sabia seu nome, vocês pareciam velhos conhecidos.

Nithael sorriu e seu corpo começou a brilhar intensamente, cresceu até atingir dois metros de altura, sua voz ecoou pelos quatros cantos, agora ele era uma um brilho intenso com uma voz solene, celestial e imponente.

- você está certa Eva, és muito observadora, eu sou um anjo, anjo Nithael da misericórdia de Deus, protetor das famílias e de pessoas que necessitam de ajuda, decidi ajudar você porque no fundo era uma pessoa boa que precisava encontrar a luz e ser guiada pelo caminho certo, contei claro com a ajuda dos três espíritos divinos que você conheceu. Quanto ao monstro Alastor, ele é o guia para a perdição e digamos que já tivemos várias desavenças.

- Sempre achei que anjos tinham asas. – disse Rodolfo.

- Se eu mostrar a minha verdadeira forma, todos vocês deixam de existir, pois ninguém pode olhar a verdadeira forma de um celestial, mas tenho asas sim. Preciso partir agora, minha missão aqui está acabada, Eva, Helena e Rodolfo, sejam felizes e cumpram suas missões, Milton, Irineu e Zulmira, obrigado pela ajuda, que a paz esteja sempre com vocês.

Ele sumiu repentinamente, como se nunca estivesse ali presente, só ficou um silencio profundo, os outros três se afastaram e ficou somente nós, finalmente uma família reunida, nos abraçamos e sorrimos, meu pai então falou.

- Temos muito que aprender!

- E muito a ensinar. – disse minha mãe.

O sorriso no meu rosto era contagiante, voltei a ser uma menininha alegre, eu estava feliz, finalmente feliz, sem dor, rancor ou ódio, simplesmente só amor.

 

                         Fim

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