EVA - PERDIÇÃO - Capitulo 10
O dia seguinte amanheceu problemático, pois Rodolfo acordou
vomitando sangue e sentindo muita dor na garganta, ele e dona Helena acabaram
tendo que ir às pressas para o hospital e Rodolfo teve a pior noticia de sua
vida.
- Lamento Sr. Rodolfo mas o senhor realmente está com um
tumor na faringe e em estado bem avançado, teremos que fazer uma cirurgia o
mais rápido possível. Rodolfo baixou a cabeça e pôs as mãos no rosto, não sabia
o que dizer nem o que pensar naquela hora, foi dona Helena quem perguntou.
- O que vai acontecer de fato doutor?
- Bom... pelo estágio avançado do tumor provavelmente
teremos que tirar toda a faringe e laringe, como consequência também as cordas
vocais, seu marido ficara mudo e durante um tempo se alimentara pela traqueia
através de tubos. É um tratamento longo, dolorido e inevitável, não vou iludir
vocês.
- Quando o senhor pretende fazer a cirurgia?
- O mais breve possível, vou arrumar um encaminhamento de
baixa e vamos providenciar tudo o quanto antes.
- Terei que fazer quimioterapia? Perguntou ele.
- Inevitavelmente.
Ao chegarem em casa Rodolfo estava visivelmente abalado,
sentou-se no sofá e não disse uma palavra sequer, dona Helena chorava no banheiro
quando Eva entrou.
- O que houve mamãe?
- Seu pai está com câncer e terá que operar.
- Lamento.
- É só isso que tem a dizer?
- A senhora queria o que?
Eva pegou seu material escolar e saiu sem se despedir, seu
coração estava gelado não tinha emoções, pegou o ônibus e sentou-se no banco e
adormeceu. Chegando na escola encontrou Tom, que lhe deu um abraço e um beijo.
- Oi Tom.
- E ai gata vamos dar um role depois da aula?
- Pode ser.
Eva entrou ao tocar o sinal, na realidade ela só fez corpo
presente, pois mal prestou a atenção na aula, sua cabeça estava longe, sua boca
estava seca, ao terminar o primeiro período viu Tom em frente à escola, foi em
sua direção e pediu.
- Me tira daqui.
Tom pegou-a pela mão e saíram caminhando chegaram na praça
onde costumavam ficar, mas desta vez Tom se dirigiu para o meio das árvores,
onde mal podiam ser vistos, tirou do bolso um saquinhos plástico com erva e do
outro bolso tirou um papel, começou a enrolar um baseado, acendeu e deu uma
longa tragada, ofereceu para Eva que pegou o cigarro e fumou demoradamente sob
o olhar de satisfação de Tom.
- Vem aqui gata.
Ele a puxou para perto e fez Eva lhe fazer um sexo oral,
quando se satisfez, olhou para Eva com um sorriso nos lábios.
- Aprendeu rapidinho hein?
- Isso é nojento.
- Mas você fez.
- É eu fiz, mas quero fumar mais.
- Vou fechar mais um, mas não se acostuma isso é caro.
Ele fechou outro baseado e fumou sem pressa nenhuma, ela
sentiu-se leve e ria por qualquer motivo, estava completamente sob o efeito da
droga. Ao voltar para casa encontrou seu pai na sala com um lençol
ensanguentado na boca, já era tarde e ela sabia que ia ter problemas.
- Onde você estava?
- Por ai.
- Como é que é?
- Estava por ai.
- Desde quanto me responde assim?
- Desde agora.
- Que cheiro é esse? Estava fumando maconha?
- Fumei um baseado.
- Ora sua...
Rodolfo partiu para cima dela mas estava fraco e não
conseguiu sequer chegar perto dela, que ficou surpresa e sem dó nenhuma disparou.
- Quem diria, o senhor Rodolfo não pode mais me bater, é...
a fila anda.
- Sai daqui sua vagabunda maconheira!
- Com prazer.
Eva saiu da sala e nem se importou em ver seu pai cuspir
sangue, sentia-se vingada e pouco importava se ele estava sofrendo ou não. No
dia seguinte, Rodolfo e dona Helena seguiram para o hospital ambos apreensivos,
pois com certeza ele ficaria no hospital, por isso dona Helena decidiu levar
algumas roupas; após uma rápida conversa com o médico, ele foi conduzido ao
quarto onde ouviu o parecer médico.
- Bem senhor Rodolfo, como há muito sangramento decidimos
reavaliar a sua situação e fazer a cirurgia o quanto antes.
- Tudo bem doutor, seja como o senhor quiser. – respondeu
ele entristecido.
- Hoje o senhor irá descansar e amanhã começaremos os
procedimentos.
Após o médico se retirar, dona Helena começou a arrumar os
pertences do marido quando notou que ele estava sentado a beira da cama de
cabeça baixa.
- Vai dar tudo certo!
- Quantas pessoas você conhece que se curaram do câncer?
- Não pense assim homem. Tenha fé.
- Vou morrer Helena, vou pagar meus pecados.
Ela baixou a cabeça e chorou baixinho, pois no fundo sabia
que seu marido tinha razão e o pior ainda nem tinha acontecido.
Em casa, Eva preparava-se para ir à escola quando seu
celular tocou.
- Alô!
- Oi Eva, tudo bem?
- Tudo o que você quer?
- Vai vir para a escola hoje?
- Acho que sim... Tive uma ideia, quer vir na minha casa?
- Na sua casa?
- Sim, estou sozinha e acho que a minha mãe não chegará tão
cedo.
- Legal, estou indo,
- Traz aquilo.
- Tem um preço.
- Eu pago Tom.
- Estou indo!
Meia hora depois ele já estava na casa dela, se atirou no
sofá e notou que ela estava nervosa.
- O que você tem?
- Nada, trouxe o baseado?
- Viciou né? Gostou do báuru.
- Fecha um vai?
- Tudo bem.
Tom fechou o baseado com cuidado sob o olhar de Eva, depois
acendeu e ela fumou com vontade sentindo sua cabeça girar, a boca ressecar e os
olhos ficarem vermelhos, caiu extasiada em sua cama e começou a rir.
- Está rindo de que?
- Nada, só vontade de rir.
- Você já está chapada.
Ele deitou-se sobre ela e começou a beijar seu pescoço e
logo em seguida tirou-lhe toda a roupa e desta vez ela estava gostando.
- Está bom Eva?
- Delicioso.
- Só que chegou a hora de pagar os baseados.
- E qual é o preço?
- vire de bruços.
- Você é minha Eva, e no fim de semana vou lhe apresentar
uma coisinha nova.
Ela nada disse, somente fechou os olhos e adormeceu e Tom
ficou ao seu lado, até pareciam um lindo casal feliz dormindo abraçados e
completamente nus. Uma hora depois dona Helena chegou em casa, cansada
atirou-se no sofá quando percebeu o material escolar sobre a mesa, curiosa
subiu as escadas e abre lentamente à porta do quarto de Eva, a visão foi
perturbadora, sua doce filhinha na cama com um homem, a raiva que sentiu foi
assustador e a primeira reação foi dar um grito.
- O QUE SE PASSA POR AQUI!
Os dois acordaram e um pavor tomou conta de Eva, enquanto
Tom colocava suas roupas.
- Mãe... Deixe-me explicar!
- Quem é esse rapaz?
- É... O meu namorado – falou baixinho sem muita convicção.
- Calma senhora, posso explicar.
- Saia da minha casa... AGORA.
Ele saiu sem olhar para traz, quando chegou à esquina parou
para rir, pois para ele tudo não passava de pura diversão. Dona Helena estava
em pé na porta com os braços cruzados, esperando Eva se recompor e vestir-se.
- O que você pensa que está fazendo?
- Desculpa mãe, não deveria trazê-lo aqui, sei que errei.
- Errou? Foi muito mais que um erro, foi traição.
- Traição? – Surpreendeu-se Eva.
- Sim, traição, você traiu a minha confiança, enquanto eu
estava com seu pai que por sinal não está nada bem, você fica em casa com um
homem transando e fumando maconha ou você acha que não conheço o cheiro?
- Mãe...
- Não me interrompa, o que você pensa que esta fazendo Eva?
Se drogando, transando, o que houve com você?
- Cansei mãe, quero curtir a vida.
- Curtir o que? Agora que preciso de você, acontece isso,
seu pai esta morrendo, você não se importa?
- Nem um pouco, não estou nem ai e quer saber? Não me arrependo
de nada, nem de fumar maconha, transar e seja lá o que for, se a senhora pensa
que vou ficar em um hospital cuidando de um moribundo está totalmente enganada,
lamento pela senhora, mas eu estou fora.

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