EVA - PERDIÇÃO - Capitulo 2
A dor ficou mais forte uns cinco minutos depois que o soco
atingiu-lhe o rosto, o zunido ensurdecedor em seus ouvidos impediam-na de
pensar, tonta conseguiu ver o vulto de Rodolfo espancando Eva com o cinto, onde
a fivela lhe atingia todo o corpo.
- Hoje você não vai para aula, sua vadia! – gritava ele no
auge de sua fúria.
Eva ficou com hematomas por todo o corpo e a única coisa que
ela sentia era raiva, o corpo dormente e o gosto do sangue na boca.
- Levante-se filha, vou leva-la para o pronto socorro e lá
diremos que fomos assaltadas, entendeu?
Eva a olhou com tristeza e com muito esforço conseguiu
levantar-se e descer as escadas, passou pelo pai que assistia televisão e as
ignorou totalmente.
Na emergia do pronto socorro, um jovem médico foi quem as
atendeu.
- Você esta muito machucada, com aconteceu e principalmente,
quem lhe bateu assim?
- Eu... nós fomos assaltadas!
-Sei... e lhe bateram assim e ninguém viu nada?
- Sim
- Olha menina, agressão a menores é crime e também a mulher,
você pode denunciar em qualquer delegacia da mulher.
- Não quero denunciar nada
- A escolha é sua e apesar dos raios-X não constatar nenhuma
lesão mais séria, você vai ficar em observação hoje!
Eva deu de ombros e na companhia de uma técnica em
enfermagem vou levada para um quarto, onde sua mãe já esperava, também estava
com o rosto inchado, sentada em uma cadeira. Eva deitou-se e mirou sua mãe,
lágrimas começaram a escorrer pelos rostos machucados, sua mãe fez-lhe um
carinho e as duas choraram abraçadas. À noite, seu corpo doía muito, o medico
receitou-lhe analgésicos e pomadas anti-inflamatórias e a liberou, mas antes
ainda lhe fez algumas perguntas.
- Pensou na denuncia?
- Estou viva doutor, é o bastante.
O médico ficou olhando as duas sumirem na multidão, virou-se
para uma técnica em enfermagem e suspirou.
- Lá vai uma filha do destino, que Deus a proteja!
Na volta para casa o silêncio imperava entre as duas, dona
Helena observava o movimento das ruas pela janela do taxi e Eva estava o tempo
todo de cabeça baixa.
- Eu não aguento mais!
- O que disse filha?
- Não suporto mais esta vida, ver você apanhando dia sim e
dia não, ser chamada de vagabunda, ordinária, ser humilhada.
- Isso passa filha, é só um mau momento.
- Mãe... Estou vivendo este mau momento há quinze anos e não
me lembro de ter recebido um carinho qualquer dele.
- É o jeito dele, mas ele te ama.
- Não sei como à senhora consegue ser tão passiva.
- A vida nos ensina filha, você verá.
O resto da viagem foi em total silêncio, Eva preferiu não
fazer mais nenhum comentário, apenas se sentia cansada, humilhada e
desorientada. Ao chegar em casa, ela fitou seu pai, olho no olho, o ódio estava
estampado em seu rosto, com frieza o cumprimentou.
- Boa noite Rodolfo!
Subiu para seu quarto, batendo a porta com força, olhou-se
no espelho do banheiro e arrancou suas roupas sujas de sangue, nua pode
vislumbrar todos os hematomas que tinha.
- Nunca mais você vai me bater cachorro, você vai sofrer
como eu sofro, vai ter os hematomas mais horríveis que existe.
Deitou-se e novamente começou a chorar, sonhava com uma vida
melhor, paixões, sorrisos e felicidades, aos poucos adormeceu. Na cozinha dona
Helena começava a aprontar a janta, quando Rodolfo entrou, ela ficou em
silêncio e tratou de terminar o jantar, pois aquele era um assunto perdido e
sabia que Eva estava por no fio da navalha.
CONTINUA...

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