EVA - REDENÇÃO - Capitulo 1

 

Estava muito escuro, um breu total, não conseguia enxergar nada e meu corpo tremia todo com arrepios de frio, pois de algum lugar vinha um vento gelado, sentia meus lábios doerem e foi então que percebi que estava totalmente nua, levantei-me e comecei a gritar.

- Socorro, alguém me ajude, tire-me daqui.

Mas eu só conseguia ouvir os ecos dos meus gritos, tentei pensar e entender o que estava acontecendo, então me lembrei das drogas.

- Estou internada, devo de estar em algum sanatório, mas porque estou numa solitária?

Então como se fosse um truque de mágica de um grande ilusionista, uma voz se fez ouvir e com ela a luz!

- Acalme-se Eva, viemos ajudar.

- Quem são vocês, onde estou e porque estou nua?

- Quem está nua?

Olho-me e estava vestida com uma túnica branca, não entendi nada, na verdade eu desmaiei e quando acordei estava deitada em uma cama, com lençóis muito branco, o lugar também era muito claro, exalava um cheiro bom de lavanda e trazia um enorme sentimento de paz em meu coração.

- Pelo jeito você está melhor.

- Você? Obrigado por me ajudar, mas não sei o seu nome?

- Me chame de Milton.

- Prazer Milton, não tinha uma senhora contigo?

- Tinha sim, o seu nome é Zulmira, logo ela vira para conversar.

- Onde estou?

- Você está entre amigos, está em um lugar onde vai recuperar suas energias e se desintoxicar do seu antigo vicio!

- Onde está a minha mãe, ela poderá me visitar?

- Sua mãe está bem, vai precisar muito de você, mas ela não poderá vim lhe visitar, pelo menos não por enquanto.

- Porque, estou presa?

- De maneira alguma, você está livre como nunca foi, quando Zulmira chegar irá lhe explicar melhor.

Eu deveria sentir medo, mas por alguma razão que não sabia explicar, eu estava muito tranquila e Milton me passava esta tranquilidade, seus olhos verdes brilhavam e sua voz macia trazia paz. Percebi que Zulmira aproximava-se, ela parecia flutuar no ar ao invés de caminhar, era uma senhora grisalha de cabelos curtos e aparência muito sábia, transmitia seriedade e segurança.

-Como se sente? - Perguntou-me.

- Me sinto bem, mas tenho tantas perguntas.

- Vou lhe responde a todas prometo, lhe trouxe roupas, se vista enquanto converso com Milton.

Vesti uma camiseta branca e uma calça da mesma cor e umas sapatilhas roseadas, eram muito confortável e me senti estranha, eu parecia um anjo com aquelas roupas.

- Vamos Eva?

Saímos do quarto e me vi em um grande corredor iluminado, com muita gente vestindo branco, entrando e saindo de várias portas.

- Aqui é um hospital?

- Aqui é um lugar onde recuperamos pessoas boas que por algum motivo se desviaram do seu caminho.

- Não entendi?

- Mas entenderá.

Quando chegamos no pátio tive a visão mais linda que me lembro, estávamos em um imenso jardim, com árvores frutíferas e não frutíferas, flores das cores mais variadas, um imenso lago com água cristalina e carpas lindíssimas, pássaros com plumagens coloridas e cantos melódicos de acalmar qualquer alma sofrida, em volta havia um gramado muito verde com bancos para descansar. Escolhemos um que estava mais perto do lago, houve um silêncio profundo entre nos duas, até que comecei a falar.

- Esse lugar é lindo, nos acalma e nos faz pensar.

- Este é o proposito daqui.

- Onde estamos Zulmira?

- Qual a última lembrança que você tem?

- Eu estava em um quarto sujo, desesperada, estava me drogando, depois disso só lembro da escuridão e do frio.

Zulmira tocou-me o rosto e o cenário foi mudando rapidamente, estávamos agora em um cemitério, ela me fez sinal para caminharmos, no caminho passamos por pessoas chorando, gritando, pedindo ajuda, confesso que fiquei com medo, repentinamente Zulmira parou e aponto-me para frente, em uma lápide, uma senhora estava ajoelhada, rezando.

- Aproxime-se devagar Eva.

Aproximei-me e meu coração disparou.

- Mãe?

- Ela não pode lhe ouvir, olhe a lápide.

Saltei para traz ao ver o meu nome escrito lá, tudo rodou e começou a ficar escuro.

- Eu... Eu não entendo.

- Foi overdose Eva.

CONTINUA...

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