EVA - PERDIÇÃO - Capitulo 9
Na sexta-feira o dia custou a passar e Eva estava aflita e
mal prestou atenção nas aulas, conversou com Tom e foi para casa, ao chegar viu
sua mãe na cozinha, foi em sua direção e deu-lhe um beijo na testa.
- Oi mãezinha.
- Oi filha.
- Posso te pedir uma coisa?
- Fala.
- Posso ir à casa de uma amiga?
- Que amiga?
- A Denise colega da escola.
- O que você vai fazer lá?
- Vamos ver um filme, depois o pai dela me traz, volto cedo
prometo.
- Esta bem, mas volte cedo que não quero ter problemas com
teu pai.
- Obrigado, obrigado mesmo.
Eva subiu as escadas correndo, pois na sua cabeça só tinha
espaço para o nome de Tom, sentou-se na cama e começou a planejar com que roupa
iria à festa, estava sentida por mentir para sua mãe, mas ela achava que era
por uma boa causa. Desceu e dona Helena não pode deixar de sorrir, Eva estava
linda, vestia um vestido preto que cobria o joelho e tinha um decote generoso,
usava um sapato alto que a deixava exuberante, nos lábios um batom rosa e os
cabelos pretos lisos e longos faziam-na parecer uma princesa.
- Meu bem, como você esta linda!
- Valeu mamãe.
- Como é o nome dele?
- De quem?
- Do seu namorado?
- Capaz mamãe.
- Acha mesmo que acreditei nesta história de filme? Ninguém
se produz tanto só para ver um filme na casa de uma colega.
- Você não é fácil em mamãe?
- Sou mãe e percebo tudo ao meu redor.
- O nome dele é Tom, estou amando.
- Tome cuidado.
- Pode deixar.
- E não chegue tarde.
- Está certo fui.
- Nada de álcool.
- Ok mãe!
- Me da um beijo.
Eva deu-lhe um beijo carinhoso e partiu para a tão sonhada
festa, sua mãe ficou pensativa, tinha receio de fizera à escolha certa. No
caminho ela só pensava em Tom e em como a noite seria agradável, ela chegou ao
ponto de encontro no horário combinado e Tom já lhe esperava.
- Oi Tom.
- Oi garota envergonhada.
- Me atrasei?
- De jeito nenhum.
- Vamos, estou motorizado.
- Uma moto?
- Sim e agora vamos voar.
- Eu não sabia que tinha uma moto?
- Não tenho, peguei “emprestado”.
Tom acelerou e os dois “voaram” pela Avenida Cavalhada até
chegarem à faixa preta, como era conhecido a Avenida Campos Velho, pararam em
frente a um prédio em construção feito de tijolos á vista, da rua se ouvia o
som alto da musica, era funk e Eva adorava este estilo de musica.
- Pelo jeito a festa esta bombando
- Você ainda não viu nada.
Ao entrar na casa ela assustou-se, além do lugar ser muito
mal iluminado, havia pessoas com as quais ela não era acostumada a conviver,
num canto da sala duas meninas beijavam-se fervorosamente, um pouco mais
adiante uma menina estava no meio de dois rapazes beijando-se a três, foi então
que percebeu que alguns fumavam maconha enquanto outros cheiravam pó numa
mesinha no centro da sala.
- O que é isso tudo Tom?
- Calma ninguém vai te machucar, o pessoal só quer se
divertir, vamos tomar uma cerveja.
- Eu não bebo.
- Hoje você vai beber, nem que seja um pouquinho.
- Pode ser.
Com uma lata de cerveja na mão, Eva ficou num canto olhando
toda aquela zoeira, sabia da existência de tudo aquilo, mas nunca tinha chegado
tão perto, nervosa tomou toda a cerveja e logo se sentiu meio tonta, foi
procurar Tom que estava conversando com dois caras.
- Tom, estou meio tonta.
- Tudo bem venha comigo.
Subiram uma escada e atravessaram um longo corredor,
entraram em um quarto que tinha uma grande cama de casal e um abajur ligado que
deixava o ambiente muito mal iluminado, Tom a deitou na cama e começou a
beija-la, suas mãos deslizavam pelo corpo dela e quando chegou ao meio das
pernas ela recuou, ele levantou-se calmamente pegou um saquinho e começou a
enrolar um baseado, acendeu e deu uma longa tragada.
- Senta ai Eva.
Ela sentou-se na beira da cama e ele lhe deu o cigarro de
maconha.
- Eu não quero, não fumo.
- Pois hoje vai fumar.
- Porque isso?
- Porque eu quero e você não sai daqui sem fumar este
baseado.
Eva pegou o cigarro com a mão tremula e deu uma tragada,
começou a tossir e como não era acostumada se engasgou e sua cabeça começou a
girar, sua visão ficou turva, Tom a fez tragar novamente e ela acabou perdendo
a noção do tempo, mal conseguia se mexer, ele começou a beijar seu pescoço, a
lamber os seios enquanto tocava no sexo dela, mesmo zonza com o efeito do
álcool e da maconha, ela tentava se livrar dele que a agarrou com força e com
destreza arrancou-lhe a calcinha olhou para ela e sentenciou.
- quietinha!
Subiu em cima dela e a penetrou com força, ela sentiu uma
dor latente e intensa que invadiu o seu corpo e soltou um grito, ele ignorava
totalmente e só parou quando desfaleceu o seu corpo em cima dela, o sangue no
lençol era seu troféu.
- Porque fez isso?
- ora... não foi tão ruim assim.
Ela começou a chorar e sem forças acabou adormecendo, teve
intensos pesadelos e quando acordou um pavor tomou conta de si.
- Meu Deus, já é manhã, o que vou dizer em casa?
Colocou a roupa apressada e sentiu uma dor forte em seu
sexo, quando estava para sair Tom agarrou-lhe pelo braço.
- Nem um piu, entendeu?
- Entendi.
- Ótimo, a gente se vê.
Ele deu-lhe um beijo e a empurrou para fora, ela correu e
pegou o primeiro ônibus que viu, senta na poltrona e começa a chorar, pois
sabia o que lhe esperava em casa.
Ao chegar em casa seu pai a esperava em pé na sala, não teve
tempo de explicar pois ele lhe deu um forte tapa na cara.
- Onde você estava vagabunda?
- Por favor pai pare, me deixe explicar.
- Que cheiro é esse? Você fumou maconha?
- Pai eu posso explicar.
De nada adiantou as suplicas, Rodolfo a espancou sem
piedade, entre um tapa e um soco vociferava palavras de ordem, ela chegou a
ficar inconsciente, mas conseguia ver a sua mãe igualmente machucada a ajudando
a levantar-se.
Algum tempo depois, Eva estava deitada quando dona Helena
entrou em seu quarto sua aparência era triste e também tinha apanhado, olhando
fixamente para ela, sentenciou.
- Como você pode fazer isso comigo?
- Desculpa mãe sei que trai a sua confiança.
- Não foi só isso filha, você fez coisas erradas, coisas que
moças descentes não fazem.
Eva colocou as mãos no rosto e começou a chorar.
- Agora não adianta chorar, tem que pensar antes de tomar
alguma atitude.
- Adianta pedir perdão agora?
- Será que resolve Eva?
- É fácil criticar, mas como é difícil tentar entender as
razões que nos levam a certas atitudes.
- Você está tentando tapar o sol com uma peneira.
- Seja como for mãe, eu sei as minhas razões.
- E só você saberá o caminho que isso te levará.
Dito isso, dona Helena levantou-se e saiu do quarto deixando
Eva com as suas próprias conclusões e seus próprios pensamentos, ela virou-se
para a parede fechou os olhos e adormeceu, estava cansada e sentia-se enganada
e agora amaldiçoada.
CONTINUA...

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