EVA - PERDIÇÃO - Capitulo 12
Seis meses após o estupro, Eva estava magra, com olheiras
profundas e completamente viciada em crack, tinha virado uma marionete nas mãos
de Tom, que agora estava sendo procurado pela polícia, acusado de tráfico e
assassinato.
Certo dia Eva esta em casa quando começou a passar mal,
parecia um simples enjoo, mas depois virou vômitos constantes, dona Helena
levou-a para um médico, que pediu uma bateria de exames e finalmente
descobriu-se o que estava havendo com ela.
- É sempre difícil de dar certos diagnósticos,
principalmente com esse de você Eva, lamento, mas foi detectado em seu exame de
sangue o vírus H.I.V.
- Como é que é? - Espantou-se dona Helena
- Sua filha é portadora do vírus H.I.V.
- Mas como?
- Provavelmente em uma relação sexual, mas a sua filha
também é usuário de drogas, é difícil afirmar qualquer coisa.
- Você não vai falar nada Eva?
- Acho que o doutor tem algo mais a declarar.
Dona Helena olhou desconcertada para o médico, que suspirou
e disse.
- Ela também está grávida, mais ou menos umas doze semanas,
vou encaminha-la para um obstetra para saber como está o bebê, lamento muito em
dizer, mas é uma gravidez de risco.
Dona Helena jogou o corpo para traz e colocou as duas mãos
no rosto, estava completamente atordoada, sua cabeça girava, olhou para Eva,
mas nada disse.
- Eu já suspeitava da gravidez – disse Eva
- E porque não me contou nada.
- Ia adiantar alguma coisa?
- E a AIDS? Você contraiu como? Usando drogas?
- Não mãe, nunca me injetei, foi me prostituindo mesmo.
A cara de horror de sua mãe com as palavras da filha foi
impactante, Eva olhou para o médico que em silêncio ouvia a discussão.
- Estou muito doente doutor?
- Veja bem, teremos que fazer muitos exames, temos que ver
como está a sua imunologia, mas uma coisa é certa, a partir de agora você vai
ter que se cuidar, está muito debilitada e como deve saber o H.I.V. baixa a
imunidade biológica drasticamente, isso significa que vai estar sujeita a
contrair qualquer tipo de doença.
- Quando irei me tratar?
- Vai depender de quando seus exames ficarem prontos vou te
dar os encaminhamentos e providencie o quanto antes, quando estiverem prontos volte
aqui e não esqueça de ir ao obstetra.
- Obrigado – agradeceu dona Helena.
As duas marcaram os exames pedidos, que seriam feitos em
dois meses, já o obstetra seria em um mês, as duas voltaram para casa em silêncio.
Quando lá chegaram encontraram Rodolfo muito mal vomitando sangue, chamaram uma
ambulância e se foram para o hospital. Depois de algumas horas de espera
ficaram sabendo que ele ficaria internado, quando foi levado para o quarto
pediu papel e caneta, pois após esses meses ele tinha extraído a laringe e
faringe e consequentemente as cordas vocais.
“Quero ver Eva” –
escreveu ele.
Dona Helena assentiu com a cabeça e foi busca-la, mas ela
não recebeu bem a convite.
- O que ele quer comigo?
- Não sei filha, quer vê-la.
- Pois eu não quero ver ele.
- Por favor?
- Está bem mãe, por você.
Eva entrou no quarto e se colocou ao lado da cama, seu pai a
mirou nos olhos e lhe entregou um papel, ela leu em voz alto.
“Estou morrendo filha,
mas antes queria lhe pedir perdão, sei que não fui um bom pai, mas preciso do
teu perdão para morrer em paz.”
Ela o olhou com desprezo e simplesmente falou.
- Não... Nunca lhe perdoarei, não vai para o paraíso, seu
lugar é no inferno, te odeio demais para perdoar, isso não vai acontecer nem
quando nos encontramos nas chamas do inferno.
Com os olhos cheio de lágrimas ela saiu do quarto para
vomitar no banheiro, quando sentiu contrações horríveis, começou a gritar por
socorro, olhou para baixo e o chão já estava com sangue, mas era tarde demais para
socorrê-la, teve um aborto espontâneo e perdera o bebê ali no banheiro do
hospital, acabou desmaiando.
Dona Helena estava sentada ao lado dela, seus olhos fixavam
o horizonte, seu rosto estava sofrido, suas mãos tremiam, perguntava o que
tinha feito de tão grave para ser castigada assim, onde havia errado,
culpava-se por sua filha ter se tornado alguém tão sombrio e sem vida. Após uma
semana ela recebeu alta, estava magra e abatida e o seu pai continuava
hospitalizado, foi para casa e começou a colocar suas coisas em uma mochila.
- Aonde você pensa que vai Eva?
- Vou embora deste lugar, não quero mais ficar aqui.
- E você vai para onde?
- Vou para a casa de Tom.
- Adianta eu lhe pedir pra ficar, pra não fazer esta
loucura?
- Não mãe, não vai adiantar.
Dona Helena baixou a cabeça e desceu as escadas, sentou-se
no sofá e fechou os olhos, mentalmente pedia forças para Deus. Eva parou a sua
frente e lhe deu um beijo na testa, olhou a mãe com os olhos lagrimejando e
disse.
- Só peço que consiga me perdoar!
Virou as costas e saiu sem mais nada a dizer, nenhuma
palavra, chorava muito e tentava entender o que estava fazendo, pegou um ônibus
e foi embora. Ao chegar à casa de Tom, não foi muito bem recebida, mas ele
concordou em lhe dar abrigo em troca de alguns “servicinhos”.
Na manhã seguinte o telefone toca na casa de dona Helena.
- Gostaria de falar com Helena dos Santos.
- É ela, pois não?
- Aqui é do hospital e lamento muito em lhe informar que o
Senhor Rodolfo dos santos entrou em óbito as 05h50min, lamento muito senhora.
- Obrigado, estarei ai em pouco tempo.
Ela desligou o telefone e sentou-se, não tinha reação
alguma, pois sabia que isso aconteceria a qualquer momento, pegou o telefone e
ligou para Eva.
- Filha não sei bem como lhe dizer isso, é tão difícil...
- Ele morreu?
- Sim filha, morreu.
- Não conte comigo.
- Ele era... É o seu pai.
- Não estou nem ai?
- Eu preciso de você.
- Lamento, mas não quero participar disso, sinto muito mãe.
Dona Helena desligou e um choro compulsivo tomou-lhe de
sobressalto, estava sozinha como sempre esteve. Depois de enterrar o marido,
voltou para casa triste, abatida e sozinha, perguntava-se se poderia piorar,
qual seria seu próximo castigo, deitou-se da maneira que estava vestida e pegou
no sono, com o corpo e mente cansado não foi difícil relaxar e dormir, pois
amanhã seria um novo dia.
CONTINUA...

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