O Poeta e o Destino
Ele estava sentado em uma duna de frente para o mar, sentia a brisa acariciar seu rosto, nas mãos uma caneta e um bloco amarelo, ele pretendia escrever outra poesia, mas a visão do mar roubou-lhe a inspiração, a única coisa que estava sentindo naquele momento, era um aperto no coração e uma vontade imensa de chorar.
“O que estou fazendo aqui? Porque venho e este lugar? Para sofrer e depois escrever uma poesia sobre este sofrimento?”
Ele tem um nome, Poeta, mas isso agora pouco importa, na verdade nem a ele importa, talvez ele nunca tenha dado importância a nada, exceto para algo que lhe machuca, sempre machucou, só que desta vez virou um abscesso, pois ele não tem como extirpar o amor. Novamente o Poeta pega sua caneta e o seu bloco amarelo e começa a escrever, os seus olhos enchem de lágrimas quando ele termina, coloca a mão no rosto e suspira fundo.
“Tenho que colocar um título, vai ser “É
difícil esquecer.”
Perder alguém que se ama é comum, mas o Poeta não aceita o comum, ele não é comum, ele sente coisas que os outros não sentem,
ele vê coisas que os outros não veem, escuta o que não escutam.
Certa vez ele estava sentado à beira mar
molhando os pés, era dezembro e não havia quase ninguém na praia, de repente
ele viu uma mulher sair do mar, ele não sentiu medo, apenas paz, ela o olhou e
disse:
“Não se preocupe, pois um dia você também
vai pertencer ao mar.”
Ela retornou para o mar e desapareceu em meio as ondas, ele apenas sorriu e seus olhos fecharam-se lentamente.
“Vou morrer e vou para o mar.”
“Para
nunca mais ser triste”, foi esse o nome que ele deu para a poesia que viu
acontecer.”
Isso aconteceu há muito tempo atrás, mas ele
não esquece e também não se preocupa, tudo vai acontecer naturalmente, todos
tem os seu destino e ninguém é capaz de muda-lo. O Poeta sentiu algo forte no ar,
como se dentro de alguns dias ele iria ser testado e em um dos versos da poesia
“Vagas”, ele escreveu:
“Quero que o meu pior pesadelo,
Se torne uma doce realidade,
Então vou poder provar para mim mesmo,
Que todo pesadelo pode virar um grande
sonho.”
Passado uma semana depois que escreveu essa
poesia, o seu pior pesadelo aconteceu, ele vê a mulher que ama com outro, e
pior ainda, esta cena repete-se todos os dias, os dias inteiros, ele não
entende como isso pode estar acontecendo.
“Nós éramos felizes, porque isto?”
É apenas o destino, ele sabe, mas nega-se a
aceitar o invisível a sua frente.
Muitas vezes ele se perguntou por que fazia
poesias ou o que fazia era poesia, tantas perguntas, ninguém para responder e
uma só resposta, mas que ele não conseguia decifrar, cada poesia que ele fazia,
colocava um pedacinho do seu coração, como na poesia, “Ser só é só ser só”, onde escreveu:
“O suspiro profundo, a mão tremula,
Um soco no escuro, o fantasma estava ali,
A tristeza invade e traz mais saudade,
Agora é tarde e tão cedo para morrer,
Ser só é só ser só
E se apaixonar é só sofrer.”
Ele acreditava no que escrevia, sentia amor
por suas poesias e se ofendia com brincadeiras sobre elas, pois pelo menos com
as poesias, ele tinha um pouquinho da paixão que se foi, que podia relembrar
escrevendo. Certa vez ele leu no livro As
Valkirias, “O amor só descansa, quando está perto de morrer”, ele comentou
baixinho:
“Meias verdades, meias verdades, a morte
pode trazer o descanso para o amor, mas o amor é necessário para se viver, ou
então o que seria de nós?” E tudo isso fazia parte do seu destino.
O Poeta sempre relutou muito em olhar
fotografias em que ela estivesse presente, mas um dia ele não resistiu, olhou
foto por foto, mas quando pegou uma em que ela sorria, ele notou algo estranho
e começou a escrever a poesia “Auras”:
“Estive olhando uma fotografia sua,
E nela você sorria tristemente,
Teus cabelos pareciam pegar fogo,
Em uma mentira pregada no amor,
Seus
olhos estavam tão lindos,
Que
notei falta de vida em sua alma,
E
mesmo assim na foto você estava tão calma.”
Ele
pegou novamente a foto e a acariciou.
“O
destino me pregou mais uma peça e me colocou uma outra pergunta: porque a
foto?”
A
resposta estava diante dos seus olhos, ou melhor, estava em suas mãos, mas na
sua mente só se passavam saudades, novamente ele faz perguntas já tendo as
respostas, mas não as vendo se refletirem no espelho como um reflexo carnal.
Nunca
ele havia tentado escrever algo sobre o que ele não sentia, pois ele achava que
não seria justo consigo mesmo, todos os dias, ele acordava triste, porque
sonhava com sua amada que está tão distante, ele não comenta com ninguém, pois
sabe o que vão dizer. Para a maioria das pessoas o amor é como um livro, que
quando se termina de ler é só guardar em uma estante, com o tempo se esquece
que um dia ele serviu para distrair, aprender e sonhar, para o Poeta o amor é
como um alimento, é impossível viver sem ele, o Poeta não esquece, só ele sabe o
que o seu coração lhe diz.
O
destino deu para o Poeta uma saudade imensa e ele tem curiosidade em saber o que
ela ganhou, mas não tem como descobrir e agora a saudade dela não o deixou em
paz nem no natal, foi quando ele escreveu exatamente o que estava sentindo
naquele momento, o título não poderia ser outro, “Natal”:
“Três
meses, hoje faz três meses,
Faz
tão pouco tempo e fá faz anos,
Hoje é
natal e eu choro,
Você
não está ao meu lado,
Meu
peito grita, meu coração explode,
Somente vivo do passado neste momento,
E é
natal, mas já não sou mais o mesmo,
Eu
ainda te amo, eu ainda te quero,
Feliz
natal... amor!”
Eu me
lembro como foi, quando os relógios marcaram meia noite em ponto e os fogos se
lançaram ao céu, a sua alma gritou alto, ele cumprimentou os três amigos que
estavam presentes e retirou-se, escondido chorou intensamente, depois orou e
pediu perdão a Deus, pois não estava feliz naquele momento de felicidade. Na
virada do ano não foi diferente, só que desta vez ele foi ao mar e lhe perguntou
o porquê disso tudo, uma onda chegou-lhe perto e respondeu: “É o
destino!”
“Minhas
palavras são tão tristes,
Por
motivos que você começou,
Meio
desatinado eu sempre sofro,
Porque
o que passou não passou,
E o
tempo passou, mas com o passar do tempo,
O teu
rosto ficou-me cada vez mais perto,
E o
teu beijo para sempre distante,
Meus
olhos são tão úmidos,
Mas
não tenho mais lágrimas,
Porque
você está tão perto,
Que
nunca mais alcançarei.”
Esta
poesia chama-se “Baldado”, ou seja, frustrado, e é assim que o Poeta se sente,
pois no ano de 1993 não perdera somente a pessoa amada, perdera também o
emprego, a amizade do irmão, a sua casa e muito da calma que ele tinha.
Ele
brincava com seus amigos, sorria, gargalhava, mas no fundo ele era triste e
baldado. Logo no primeiro dia de Setembro algo terrível povoava o seu sono, não
deixando-o dormir por incontáveis noites, semanas depois sua vida desmoronou
rapidamente.
Dia 17
de Setembro, após uma discussão acalorada em seu emprego, ele é acusado de
roubar a empresa, fica completamente desatinado, telefona para a sua amada e só
diz que a ama.
Dia 18
de Setembro, encontra-se com sua amada e a sua sanidade começa a sofrer
modificações, ele pede para ela não abandona-lo, pois sabia que iria sofrer
fortes abalos em sua vida, revela que pretendia acabar o namoro porque não
queria que ela sofresse com os problemas dele, ela lhe abraça chorando e diz
que não era necessário fazer isso, que sempre estaria ao seu lado.
Dia 20
de Setembro, ele recebe um comunicado de despejo, tenta dialogar com a dona da
casa, explicando que nunca tinha atrasado o aluguel, mas a tentativa é em vão,
recebe três semanas de tolerância, irritado ele acaba partindo para a agressão.
Dia 22
de Setembro, volta ao trabalho mas é impedido de exercer sua função e recebe a
carta de demissão por justa causa.
Dia 25
de Setembro, com a cabeça transtornada, vai visitar sua amada, ela o recebe de
maneira estranha, pede para conversar e lhe diz que está tudo acabado, que ela
já tem outro. Em silêncio ele vai para casa e entra em seu quarto, pega seu
álbum de fotografia e uma foto dela cai ao chão, ele senta-se e grita com toda
sua força, com todo seu ar, pois para ele, de todas as perdas que sofreu, esta
era a pior.
Após ficar trancado em seu quarto por uma
semana, resolve sair e caminhar, quando ele estava passando em frente a uma
igreja, escuta uma voz que diz:
“Venha!”
Ele
adentra a igreja e senta-se, não havia ninguém, somente ele, olha para o altar
e pergunta a Jesus o porquê de estar sofrendo tanto:
“Às
vezes o destino nos é cruel, mas também nos é gentil, este momento talvez seja
somente uma pequena parte do seu destino, lute porque você pode, você vai
conseguir, aquela a sua estrela, para que ela possa aquece-lo.”
Ele não sabe de onde
veio a voz, mas sentiu que a paz estava ao seu lado novamente. Agora aqui
escrevendo, lembro-me de como foi difícil para ele, muitas lágrimas foram
derramadas, mas agora ele tinha um grande aliado, mas que ele fazia pouco caso,
mas ele viu o tamanho de sua força quando ele lhe estendeu a mão... Deus!
Numa
tarde qualquer, decidiu escrever um memorial com suas poesias, com o título,
...Do meu coração..., foi quando ele escreveu “Choque”, numa tentativa
de descrever tudo o que passou:
“Solidão,
sentindo pena de si,
Olhando o horizonte tremulo,
De pés
descalços no asfalto quente,
Nada
mais faz sentido,
Se
alguma coisa já teve sentido,
Esqueceram de avisar,
Não
critique a autocritica,
Se
defina num ser humano,
E pare
de ser uma aberração.”
Um dia
pela manhã, ele estava passeando no mar e a agua estava cristalina, ele parou e
ajoelhou-se e fez uma pergunta para a rainha do mar:
“Porque
perdi a pessoa que eu amava?”
“Porque
perdi tudo o que eu tinha?”
“Como
reaver tudo novamente?”
Levantou-se e voltou a caminhar, quando viu uma gaivota a sua frente,
que curiosamente estava a poucos metros de distância e não fugiu, o Poeta olhou-o
de frente e leu em seus olhos:
“Quando
você estava sozinho, me fez um pedido, queria um alguém e eu lhe dei, mas então
você me esqueceu, me venerava antes e me blasfemou depois.
Talvez
você tenha perdido para aprender a ser um perdedor, para aprender a ser humilde
e não brincar com o destino. Lute e você reconquistara um pouco do que foi
perdido, mas lembre-se, reconquiste primeiro a sua humildade.”
A ave
alçou voo e o Poeta ficou parado olhando o bater das suas asas, como se elas
estivessem lhe dando um até breve, desta vez não chorou e sim sorriu, pois
sabia que apesar de machucado ainda podia lutar e estava no caminho certo.
“Sou
alguém que viveu, morreu e sorriu,
Sou
alguém que o coração partiu,
Sou
alguém que chorou de tristeza,
Sou
alguém que sempre tem certeza,
Sou
alguém que nasceu sem beleza,
Vou
ser alguém que irá gritar,
Vou
ser alguém que irá amar,
Vou
ser alguém que irá parar,
Não sou alguém que se despreza
Só sou
alguém humano demais.”
Quando
escreveu “Natureza humana”, o Poeta descobriu o poder da fé, ele sempre
foi humilde, mas não queria mostrar isso para ninguém, humildade não é pobreza
ou defeito, mas sim uma virtude e riqueza, isso ele descobriu.
O que
pode ser o destino? Muitas pessoas acham que o destino é chegar o mais longe
possível ou não chegar a lugar nenhum, para outros porém, o destino é
manipulável, que pode-se altera-lo quando se quiser. O Poeta também acreditava
que o destino podia ser manipulado, até acontecer tudo o que lhe aconteceu,
bem... talvez alguém diga que já aconteceu coisa bem pior com fulano ou
cicrano, porem cada caso é um caso, ninguém pode comparar os seus problemas com
os do vizinho, pois o que pode ter sido uma grande dor de cabeça para um, pode
não ter sido nada para outro.
O Poeta agora estava aprendendo a suscitar o sentido do destino, já não fazia tantas
perguntas como fazia antes, agora ele procurava as respostas e escrevia mais e
mais poesias e chegava cada vez mais perto das respostas que procurava.
“A
graça das tuas palavras e no teu sorriso
Preenche-me de alegria e vida
Cantar
as tuas músicas, tentar seu teu elo
Como o
pássaro mais lindo do canto mais belo”
Quando
escreveu estes versos na poesia “Para um grande amigo”, descobriu a
felicidade de ter amigos e um dos motivos para não sair de si, não enlouquecer,
foi ter amigos para conversar, ele também compôs “Amigos joias raras”,
para homenagear a todos ao mesmo tempo.
Um dia
deitado em sua cama ele chegou a uma pequena, mas grande conclusão, o destino
lhe tirou a sua amada, seu emprego, sua casa e o fez inimigo do próprio irmão,
mas em troca lhe deu novos amigos, um novo emprego em que fazia o que realmente
gostava, com um patrão que ele admirava, uma casa para a sua mãe morar
tranquila e um cantinho somente dele, mas... e a sua amada?
“Eu
tenho fotos e cartas e tenho as doces lembranças do passado, um dia o destino
vai me fazer esquece-la ou tê-la novamente.”
Sem
querer ele já estava respondendo as suas perguntas e aceitando o destino, agora
ele sabe que na vida sempre teremos surpresas, mas é preciso estar preparado
para enfrenta-los.
Quando
pensa em seu irmão, ele entristece, pois de todos os problemas, este foi o
único que ficou pendente, seu irmão era seu patrão e o Poeta fazia tudo por ele,
ambos se ajudavam e o Poeta jamais seria capaz de fazer algo para prejudica-lo,
só que seu irmão acusou-o de furto, de ter tirado dinheiro da empresa, o Poeta ficou irado e desconsolado, pois sabia que nunca tinha tirado um tostão sem que
lhe fosse autorizado.
O Poeta queria colocá-lo na justiça, pois além desta acusação, seu irmão não queria lhe
pagar, mas a sua mãe o impediu, ele recebeu os direitos trabalhistas e logo
depois foi descoberto o erro cometido na empresa, pois o dinheiro sumido
apareceu, tinha sido apenas um grave erro de cálculo. Às vezes o Poeta pensa em
ir até o seu irmão e pedir desculpas, mas ele quer que seja ao contrário, pois
ele foi o réu, então é melhor deixar que Deus fizesse a coisa certa.
O Poeta sabe agora que para se ter uma vida em paz, no corpo e no espirito, é preciso
compreender os atos de Deus, com o destino amadurecendo na sua cabeça, ele
escreveu a poesia “Sentido da compreensão”:
“Queria
poder compreender o sofrimento,
Que
passo em todos os meus momentos,
Sofro
porque quero,
Ou se nasci infeliz,
Não entendo a razão da desconfiança,
Sempre que alguém me trata bem,
Tenho medo de me abrir para as pessoas,
E depois me arrepender,
Queria poder compreender o amor,
Que nunca atinge os meus objetivos,
Que me faz vagar no mundo da ilusão,
Sem me dar o alguém que tanto preciso,
A compreensão é muito questionada,
Mas poucos chegam a conclusão,
Que compreender é amar sem saber,
E sem
saber eu sou amado,
Sou
amado por Deus, o todo poderoso,
Nele
sei que posso confiar,
Sei
que não é um amor esporádico,
Porque
graças a ele a paz a de reinar.”
A sensação
de amor pelos seus semelhantes crescia rapidamente, agora ele já entendia parte
das coisas que aconteciam em sua vida, Deus é bom e ao mesmo tempo exigente,
Deus não faz o destino, nos é que fizemos. o Poeta agora em paz com o seu
espirito, aprendeu a controlar o seu amor pela sua amada, a não ter ódio pelos
seus inimigos, ao invés de brigar, aprendeu a estender a mão e a dialogar.
o Poeta não queria se tornar uma pessoa inefável ou inenarrável, só queria ser mais
amigo, estar presente nas horas ruins dos seus próximos, pois assim aprenderia
a manipular a dor dos seus maus momentos. Os seus poemas agora falavam tanto de
um amor que se foi, como falavam do amor que faltava no mundo, exemplo disso é
o poema “Zonas”:
“Corro
por ruas desconhecidas,
Corpos
caídos, desfalecidos,
Paro
no meio de uma avenida,
Tantos
prédios, tantos carros e nenhuma vida,
Fico
na redenção a mendigar,
Um
pouco de amor, de alegria,
Vejo
um avião de guerra passar
Até
quando a humanidade vai brincar?
Estou
contaminado por um vírus,
Stoned
de computador
Vem
meu anjo Gabriel,
Distribua
para essa gente o amor.”
O Poeta também conheceu uma amiga que lhe ensinou
a lidar com o pensamento negativo, ela lhe ensinou a tirar todo tipo de
pensamento ruim da cabeça, ele ficou feliz, pois aprendeu algo novo, o destino
estava sendo bom, ele não fazia mais perguntas, pois a resposta de tudo estava
muito próxima. Ele ficou muito agradecido e decidiu escrever uma homenagem e
como sempre saiu do fundo do seu coração, o poema “Com amor simplesmente Rô”,
onde no último verso escreveu:
“Vejo a
fênix surgir em minha frente,
Tão
bela, tão sabia, tão carinhosa,
Os
carinhos saíram das minhas mãos,
Mas o
movimento foi do coração,
Nos
cabelos daquela fênix,
Que eu
chamei com amor simplesmente Rô.”
O Poeta quando
leu a saga de Thor, o deus do trovão, se emocionou, pois em uma leitura
fictícia, ele achou uma parte de sua resposta, escreverei aqui com minhas
palavras o desfecho desta história:
“Thor
Odinson, o deus do trovão, se atira de encontro à serpente do universo, numa
última investida, se vencer o universo e *Midgard estarão salvos. Thor dá o seu
último golpe e a serpente do universo cai desfalecida ao chão, Thor dá dez
passos para traz e jaz morto na terra, tudo isso já estava escrito no seu
**wird’s.”
o Poeta entendeu a moral da história, novamente o destino apareceu para ele, wird’s,
uma palavra mitológica, que significa destino, assim ele escreveu os poemas “Wird’s”
e “Wird’s selados” e mais
adiante escreveu o poema “Batalhas de Thor”:
“Fiquei
sabendo de um confronto,
Na
terra do paraíso,
Um
confronto histórico,
E
armas não foi preciso,
Não
tinha armas para o amor,
O qual
havia sido expulso,
E
agora com louvor,
Resolveu aceitar a disputa,
O amor
tinha sido expulso,
Pelo
ódio e a infelicidade,
Que um
dia resolveram,
Dominar o nosso mundo,
Mas o
amor voltou,
Pronto
para morrer.”
E a
poesia “Pregação”:
“Muito
foram as vezes,
Em que
ouvi falar em Deus,
Que
ele tinha poder,
Que
ele era capaz de saciar,
A fome
e a sede de nossos pobres,
Mas
quando eu olhava ao redor,
Via
pessoas com fome e sede,
Via
crimes horrendos,
E me
perguntava,
Onde
está Deus?
Porque
ele não faz alguma coisa?
Então
uma voz me falou:
- O
Senhor sempre está presente, mas os homens só o aceitam quando dele precisam, o
Senhor realmente pode acabar com a fome e sede, com a violência e a guerra, mas
ele só age através dos homens e assim os homens não querem.
Ó meu
Senhor, meu bom Deus,
Tenha
piedade dos homens, pois sei que um dia,
Todos
eles verão o quanto é tarde.”
Sentindo que já conseguia dominar as suas emoções, o Poeta se dedicava
inteiramente aos poemas e deixou o destino se encarregar do resto, o mundo é
bom, só temos que aprender a viver nele, quanto a sua amada, ele ainda pensa
nela, mas também chegou a uma conclusão:
“Eu
fui o seu primeiro namorado, eu abri o caminho e nunca parei para pensar que eu
poderia não ser o único. O amor é algo assustador quando não se conhece por
completo, o amor é uma folha em branco, onde o poeta escreve um poema lindo, o
papel deixa de ser um simples branco, para virar uma mensagem de carinho. O
amor é forte, mas também é imprevisível, nada o detém, mas tudo ele retem.”
Não sei
dizer se essa é a melhor definação para o amor, mas o Poeta tem outras, que são os
poemas “Suscitar a palavra amor” e “Do alto da montanha do meu
coração.”:
“Amor,
forte é a sua dimensão,
De
mudar um ser humano,
De
torna-lo um ser alegre
Forte
e convicto,
Mas
também torna-lo,
Um ser
triste, amargurado e baldado,
Capaz
de fazer chorar
Ao
toque de um primeiro beijo,
Capaz
de cometer suicídio,
Ao
abster-se no perder a pessoa amada,
Mas
mesmo assim,
Ninguém é capaz de viver sem amor,
Sem
aquele sentimento,
Que
mexe com o nosso corpo,
Com o
nosso espirito,
Com a
nossa cabeça,
Ninguém seria capaz de viver,
Sem
amor, para ter uma pessoa amada.”
“Tenho
vontade de te ver,
Tenho
tanto que sorrir,
Tenho
planos para o futuro,
Ao
invés de morrer aqui,
Usei o
caminho que você me indicou,
Eu não
sou mais eu, sou dependente,
Preciso de alguém para indicar o melhor caminho,
Tenho
você mas estou tão sozinho,
O sol
e a lua querem me guiar,
O
vento e a chuva querem me amparar,
Mas
sou hilariantemente triste,
Que o
“Russo” iria se inspirar,
Escrevo fracos pingos no i,
E a
tua mão quero alcançar,
Mas os
teus olhos vivem na escuridão,
Olhos
que um dia eu vi brilhar.”
E é assim que o Poeta vê o
amor!
Muito
tempo se passou depois que todos estes acontecimentos na vida do Poeta,
naturalmente ele aprendeu muito com tudo isso e amadureceu, para suportar suas
perdas e reconhecer seus erros. Ele aprendeu a amar a distância, que quando
alguém que deixou boas lembranças é ter boas recordações no coração, o Poeta tem
amigos e estes amigos tem opiniões idênticas, por exemplo, André o acha
inenarrável, estimável, calmo, compreensivo e humilde, para o Poeta isso é um
grande prêmio, pois foi com esse mesmo André, que ele tentou agredir por
motivos mesquinhos e orgulhosos, hoje ele o considera um irmão. Quando que uma
opinião, procura-o para lhe perguntar e André também sugere ideias para o Poeta.
Um dia o Poeta pediu para André colocar um poema em seu memorial, André escreveu “Atol
das rocas”, algo difícil de expressar:
“Meu
espirito é pobre demais,
E
quero enriquecer você,
As
tuas virtudes são os meus prazeres,
E meu
desejo te procura,
Você é tão meu pouco que quero tanto,
Quero tanto ser teu amigo,
E
ficar contigo para sempre,
Longe
desse mundo frio,
Bem
perto do teu corpo quente,
Nunca
viu o sol nascer
Onde
posso comprar ar puro?
Como
são feitas as flores?
Você
faz uma pra mim?
Param
de viver e começam a vegetar,
Como
mortos vivos,
Quando as pessoas pensam no amor,
Projetam o mundo dentro dos seus corações,
Numa
fortaleza,
Unidos
em espaço e tempo,
Sem
lugar para o ódio, a inveja ou a ambição,
Um dia eu sei que encontrarei você...”
O Poeta achou a resposta
para o destino, deitado em sua cama, quando falou para si mesmo:
“O
destino é intocável, imutável, e sempre vai acontecer, tudo o que posso fazer e
aceita-lo.”
Certo
dia lendo um livro de Kahlil Gibran, “Pensamentos e meditações”, ele encontrou
algo muito interessante, algo que dizia:
“Poesia
meus caros, é a encarnação sagrada de um sorriso, poesia é um suspiro que seca
as lágrimas. Poesia é um espirito que se aloja nas profundezas da alma, cujo o
alimento é o coração e cujo o vinho é a afeição. Poesia que não vem desta
origem é a de um falso poeta.”
Com isso ele chegou à
outra resposta, o que ele escrevia era poesia e ele era um poeta, pois suas
respostas tinham aqueles ingredientes, agora o Poeta pode dormir tranquilo, pois
já tem todas as respostas.
Eu vi
tudo isso começar e vou ver mais coisas acontecerem com toda certeza.
Meu
nome? Não importa!
FIM

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