EVA - PERDIÇÃO - Capitulo 13 (Fim da Primeira parte)
Eva olhou fixamente a seringa com o liquido esbranquiçado,
suava e tremia muito, apertou o braço com uma borracha de látex e ficou
observando os milhares de picadas na pele roxa e flácida que se faziam notar,
havia meses estava se picando, as drogas convencionais não faziam mais efeito,
fechou os olhos e deixou as ultimas lágrimas caírem dos seus olhos, estava
muito desfigurada, não lembrava nem de longe aquela linda menina de outrora, a
menina de quinze anos, de altura mediana, cabelos pretos longos, olhos
amendoados e doces, lábios grandes e vermelhos, era uma mulher num corpo de
menina. Hoje não dava nem para ver a cor dos seus olhos pelo tamanho e
profundidade de suas olheiras, seu corpo agora era magro e esquelético cheio de
pequenas feridas, não parecia uma menina de dezesseis anos, mas de uma mulher
muito mais velha.
- Mãe, me perdoe, você é uma santa, nunca mereceu nada
disso.
Sua mãe não estava ali e era bom que não estivesse, pois ela
não suportaria tamanho sofrimento, Eva lembrou-se do seu pai e as palavras não
foram nada gentis.
- Cachorro, vamos nos encontrar no inferno, como em minhas
viagens alucinadas.
Dito isso, cravou a ponta da agulha em sua veia e começou a
injetar, caiu no chão feito um saco de batata, sentiu seu coração acelerar cada
vez mais e a respiração ficar tão rápida que mal podia respirar, ao longe ouviu
sons de tiros e um vulto cair ao seu lado, o resto foi somente escuridão...
Era manhã de domingo quando a campainha tocou sem parar,
dona Helena correu para abrir a porta e deparou-se com um policial parado do
lado de fora.
- Helena Santos?
- Sim, sou eu.
- Eu sou o sargento Da Silva e tenho um comunicado nada
agradável.
- Pode falar.
- A senhora conhece Eva dos santos?
- É minha filha, o que houve?
- Sinto muito senhora.
- Como aconteceu?
- Bem... Estávamos atrás de um pequeno traficante e
estelionatário...
- Como era o nome dele? – interrompeu ela.
- Era conhecido com o Tom.
- Meu Deus, o que minha filha fez?
- Bem... Ela não fez nada, como eu ia dizendo, estávamos
atrás dele e acabamos encontrando numa velha casa, houve troca de tiros e nos o
acertamos, quando fomos verificar o corpo encontramos ele caído ao lado de sua
filha, que já estava em óbito, aparentemente ela já havia falecido por
overdose, sinto muito novamente.
- Não pode ter sido uma bala perdida?
- Senhora, havia uma seringa presa em seu braço e nenhuma
perfuração de bala.
- Minha filhinha, minha doce filhinha.
- Novamente lhe digo que sinto muito, mas é meu trabalho lhe
deixar a par dos fatos, ela deve ter sofrido uma overdose letal, pois ainda
havia meia seringa por injetar, também temos a hipótese de suicídio, pois junto
ao corpo havia um envelope com o seu nome e endereço.
Ela pegou o envelope e o acariciou com carinho, mas não teve
coragem de abri-lo naquele momento, olhou para o policial e perguntou.
- O que devo fazer?
- Vou leva-la para reconhecer o corpo no IML, depois haverá
uma pericia, o resto é com a senhora, lá lhe darão informações de como retirar
o corpo.
- Vou pegar minha bolsa.
Ao ser chamada para reconhecer o corpo, achou que iria
desmaiar, respirou fundo e encheu-se de coragem, o perito puxou a gaveta e ela
sentiu seu coração disparar, com a mão na boca fez o sinal de positivo com a
cabeça e não conseguia tirar os olhos do corpo que estava com um jaleco branco,
desfigurada e inchada, voltou para a sala de espera e desabou a chorar.
- Minha filha, meu Deus onde foi que eu falhei?
Após assinar os papeis, contratou uma funerária para fazer o
translado de sua filha, vestiu-a com as roupas que ela mais gostava e tomou uma
rápida decisão.
- Moço, vou crema-la!
- A senhora é quem sabe.
- Ela não vai para o umbral, não vai encontrar aqueles
monstros, vou salvar sua alma.
- O que disse senhora?
- Nada não moço.
Na sala fúnebre do crematório viu sua filha sendo queimada
pelo fogo, não tinha mais lágrimas para chorar, somente o vácuo que ficou em
seu peito. Depois dos procedimento foi lhe entregue os restos mortais que foi jogado
no parque Farroupilha, lugar que Eva adorava desde criança, sentou-se a sombra
de uma arvore e relembrou quando vinha com ela pequena, lembrou dos momentos
maravilhosos que viveram juntas, pois as duas se amavam muito.
- Vou sempre te amar minha filha!
Abriu o envelope e leu a carta em silêncio, as lagrimas
brotavam fácil de seus olhos, mas em seu coração sabia que ela iria conseguir a
redenção, poderia demorar, mas ela iria encontrar o descanso merecido.
“Querida Mamãe”
Sei
que fico pedindo perdão sempre que vejo você, então desta vez não vou fazer
isso, quero somente lhe dizer que te amo, que você foi a coisa importante da
minha vida. Sei que errei, foi somente culpa minha, mas em nome da minha raiva,
esqueci totalmente os seus conselhos e lições, você é a melhor mãe que alguém
poderia ter.
Achei
que usando drogas eu ia me tornar forte, invencível, que iria esquecer os
problemas e ser feliz, mas me enganei, a única coisa que me tornei foi em uma
marionete do vicio e de um cara que só queria me explorar, me prostituir e hoje
cheguei ao fundo do poço e infelizmente ele estava cheio e me afoguei.
Eu
disse que não iria lhe pedir perdão, mas eu preciso pedir, mãe me perdoa, me
desculpa, você não merecia isso, mas agora é tarde demais.
EU TE
AMO!
“da
sua sempre: Eva”
CONTINUA...

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